Saúde mental na era digital

Saúde mental na era digital: O papel da intervenção à distância

In Psicologia clinica por Romina Pereira

Saúde Mental na era digital: papel da Intervenção à distância. O apoio e intervenção psicológica online são cada vez mais uma realidade no nosso quotidiano. De facto, existem diversas vantagens associadas a esta modalidade de intervenção, mas nem por isso devemos descartar a consciencialização das suas limitações. 

Desde a pandemia Covid-19, que o teletrabalho e, consequentemente, os cuidados de saúde mental à distância se tornaram uma realidade próxima de muitos de nós. Em muitas situações, teve inicio como uma obrigatoriedade, contudo, atualmente são para uma grande maioria da população uma opção. 

O que é a intervenção psicológica à distância?

Segundo as recomendações para a prática profissional da Ordem dos Psicólogos Portugueses para a Intervenção Psicológica à Distância (2023 https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/opp_intervencaopsicologicaadistancia_pt.pdf),

entende-se a prestação de serviços psicológicos utilizando tecnologias de informação e comunicação (TIC), o que inclui (não estando, no entanto, limitada a): smartphone; tablets; computadores ou outras plataformas digitais; comunicações via videoconferência, e-mail, chat, sites, blogs ou redes sociais”.

O papel da intervenção à distância
O papel da intervenção à distância

Benefícios da intervenção à distância?

Existem muitas vantagens associadas ao atendimento online. Sem dúvida que a principal será a facilidade de acesso à consulta de psicologia e à diversidade de profissionais e intervenções. Permitindo assim, a diminuição do estigma associado à intervenção psicológica, o que se tem revelado uma mais-valia na sensibilização e consciencialização sobre a necessidade de cuidarmos da nossa saúde mental.

Podemos igualmente, destacar o facto de ser uma intervenção à distância realizada em tempo real, cómoda e acessível a qualquer pessoa e em qualquer parte, tornando-se especialmente importante para populações socialmente mais isoladas e/ou com limitações (físicas ou psicológicas), que impeçam a deslocação a uma estrutura física.

Da mesma forma, esta modalidade de intervenção revela-se especialmente atrativa para faixas etárias mais jovens, muito familiarizadas com as TIC. Contudo, com menores, o consentimento informado assinado pelo encarregado de educação/ tutor legal é fundamental.

Além disso, para pessoas que trabalham em regime de teletrabalho ou em regime híbrido, as consultas online podem ser uma excelente opção, facilitando a sua gestão de tempo e agenda, tornando a flexibilidade de horário também um outro ponto positivo. Por fim, realçamos o beneficio da redução de custos associados a deslocações.

Quais os desafios do atendimento online?

Para quem não está familiarizado com as TIC, as consultas online podem constituir uma barreira na procura de apoio psicológico. Outro desafio será a necessidade de ter um equipamento específico para a realização das mesmas, por exemplo: computador, telemóvel, tablet e acesso a internet, o que atualmente já não será uma desvantagem para a maioria da população.

Outro obstáculo associado a este formato de consulta é a privacidade e confidencialidade, como tal será imprescindível sensibilizar os pacientes para a necessidade de optarem um local privado, em que se sintam confortáveis para falar abertamente, sem correrem o risco da sua consulta ser ouvida por terceiros.

Saúde mental na era digital
Saúde mental na era digital

Por forma a acautelar estes desafios a OPP deixa como recomendações:

  • Optar preferencialmente por ferramentas profissionais de videoconferência adaptadas para teleconsulta, software de videoconferência, e-mail e mensagem de texto que garanta criptografia de ponta-a-ponta; 
  • Não usar um computador público, faça logoff após uma sessão e mantenha o seu sistema operacional e/ou aplicativos atualizados (particularmente, os de segurança); 
  • Garantir que está, em local privado, não podendo ser incomodados.

Convém salientar que, entre as desvantagens, podem ainda acrescentar-se a necessidade de mais tempo para o desenvolvimento da relação terapêutica, a perda da linguagem corporal em sessão, mas também a necessidade de realização de intervenção presencial com crianças e com pacientes portadores de alguns tipos de patologias mais severas. A avaliação psicológica é também mais difícil na modalidade online, pelo facto de haver necessidade de administrar fisicamente instrumentos de avaliação à pessoa.

Saúde mental na era digital

A intervenção psicológica à distância realiza-se da mesma forma que uma consulta presencial, respeitando o Código Deontológico dos Psicólogos Portugueses, com a mesma metodologia, duração, sendo também essencial a relação terapêutica para o sucesso da intervenção. A consulta de psicologia através de atendimento telefónico funciona sobretudo para casos de emergência.

Idade mínima para intervenção online?

Segundo o Regulamento Geral para a Proteção de Dados – RGPD, a idade mínima obrigatória para intervenção psicológica é de treze anos, a partir da qual é possível uma pessoa dar o seu consentimento livre, específico, informado e explícito para tratamento de dados pessoais (Parecer OPP – Intervenção Psicológica à Distância com Adolescentes, 2024).

O papel da intervenção à distância

A investigação científica indica que a terapia online é tão eficaz quanto a terapia face-a-face (OPP, 2017). A evidência científica já confirmou a eficácia da intervenção psicológica online em casos de: depressão, ansiedade, stress pós-traumático, perturbação obsessivo compulsiva, comportamentos de adição, entre outras (revista Psique, 2021).

Pode confirmar em https://www.ordemdospsicologos.pt/pt/membros, se o profissional se encontra devidamente habilitado a realizar a sua intervenção. 

Sabia que…?

As primeiras intervenções psicológicas à distância remontam à década de 80, através de grupos de autoajuda?

E ainda, a intervenção psicológica também se pode realizar através de chamadas telefónicas? Apesar de este tipo de intervenção recuar também à década de 50, ainda hoje é bastante utilizado, sobretudo em casos de emergência, através de linhas telefónicas de apoio psicológico como:

  • Linha SNS 24 (808 24 24 24)
  • SOS Voz Amiga (213 544 545 | 912 802 669 | 963 524 660)
  • SOS Estudante (969 554 545 | 915 246 060 | 239 484 020 )
  • APAV (116 006)
  • outras…

Romina Pereira/ Psicóloga e Psicoterapeuta © Psicoajuda – Psicologia certa para si, Leiria

Imagens cortesia: www.freepik.com

Sobre o Autor

Romina Pereira

Psicóloga clínica e Psicoterapeuta na PsicoAjuda. Mestrado em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos.