Principais desafios e mudanças

O papel da mulher atualmente: Principais desafios e mudanças

In Psicologia adultos por Tiago Marques

Dia 8 de março, celebra-se o dia internacional da Mulher, ainda que seja relevante referir que não temos de esperar por datas para abordar temas essenciais, como o papel da mulher na atualidade e os principais desafios e mudanças a ele associados. Penso, ser útil aproveitarmos este marco para deixar uma reflexão.

Felizmente, hoje assistimos a uma maior liberdade e igualdade entre homens e mulheres, embora persistam algumas discrepâncias. No passado, a realidade era diferente: a sociedade colocava a mulher numa posição de opressão, diminuindo a sua visibilidade e confinando-a a papéis marcados de submissão.

O papel da mulher atualmente
O papel da mulher atualmente

Apesar do avanço de mindset social na cultura ocidental, ainda observamos alguma pressão destinando mulheres às funções domésticas, familiares e maternas. O que de certa forma dificulta a conciliação da esfera profissional com as esferas familiar e pessoal. Existe uma dupla/tripla jornada de tarefas por parte das mulheres (ainda que em muito menor grau que antigamente).

Isto parece estar relacionado com as funções desde tempos primitivos, onde a mulher desempenhava tarefas domésticas e cuidava dos filhos. Por outro lado, o homem era responsável pela caça e outras atividades que exigiam força e velocidade.

O papel da mulher na família atual

De facto, atualmente, existindo filhos ou não, cada vez mais se confundem os papéis do homem e da mulher na vida conjugal. Assiste-se a uma discrepância relativamente à estrutura familiar tradicional. Onde o pai era o provedor e a mãe a responsável pelas tarefas domésticas e pelo cuidado dos filhos.

A família sofreu alguns desafios e mudanças significativas com o passar dos tempos. Hodiernamente, um número cada vez maior de mulheres trabalha fora de casa e contribui com rendimento para o sustento da família. Além da maternidade, muitas mulheres procuram realizar-se profissionalmente, sendo naturalmente uma condição necessária à percepção de sucesso e níveis de gratificação!

Atualmente, os papéis de homens e mulheres já não se vinculam apenas à identidade sexual, mas sim à condição humana e as suas circunstâncias. Ser homem e ser mulher não define mais por si só a prontidão para o exercício de papéis conjugais e familiares! Ou seja, atribuir à mulher o papel de cuidar do lar e ao homem o de providenciar o sustento da família, não só é um modelo arcaico que remonta às origens do processo civilizatório, mas, soa hoje em dia a um estereótipo perto do ridículo (Osório, 2002).


Impacto das crenças no papel da mulher

Ainda assistimos, e tal como Strey (2007) refere, ao fenómeno do “trabalho de homem” e “trabalho de mulher”.

Importa referir que certos homens aprenderam crenças associadas, como “isso é trabalho de mulher”. O que os leva a não se sentirem dignificados ao exercer determinadas tarefas (e.g., atos de maior cuidado, atenção emocional e responsabilidades domésticas). Ou seja, essas crenças desvalorizam tarefas, por considerá-las menos importantes do que o “trabalho de homem” (e.g., apresentar rendimento financeiro ou arranjar coisas que se estragam e precisam de reparo).

Principais desafios e mudanças

Atualmente sabemos que não existe igualdade salarial e, ainda que já se observem em inúmeros casos organizacionais a chefia de uma mulher. Uma grande proporção das mulheres apresenta rendimentos inferiores aos homens.

O trabalho é um ato social por excelência que permite ao ser humano integrar-se em sociedade e satisfazer a sua necessidade de pertença. Através do trabalho, acumulamos habilidades, sentimo-nos úteis e contribuímos para o desenvolvimento de toda a sociedade. De facto, o trabalho é essencial para a sobrevivência, avanço cultural e económico, não havendo um “trabalho exclusivo” a qualquer dos géneros!

Apesar da desconstrução progressiva da sociedade originalmente mais patriarcal, continuamos a observar assimetrias e a atribuição de papéis rotulados de tarefas, objetivos e direitos entre homens e mulheres.

A maternidade, um vinculo à imagem da mulher

Um dos principais vínculos à imagem da mulher é a maternidade, e, apesar de avanços na conceção da imagem da mulher, há uma estigmatização negativa, como se de uma obrigatoriedade natural se tratasse, e de desilusão se construísse quando esta não assume como objetivo pessoal a maternidade. Portanto, esta pressão externa pode desencadear uma tensão interna onde a mulher se cobra para o papel da maternidade, sendo que isto não faz parte dos seus desejos e objetivos.

A maternidade, um vinculo à imagem da mulher
A maternidade, um vinculo à imagem da mulher

Urge mudança cultural

Desde que nasce, a criança é associada a estereótipos de género que observamos em escolhas simples, como vestir roupa azul ou cor-de-rosa. Os brinquedos com que brinca, os comportamentos que os adultos incentivam e as expectativas que projetam sobre ela, exercem uma influência marcante na forma como desenvolve características psicológicas consideradas “femininas” ou “masculinas”.

Ainda sou do tempo em que era “normal” o gozo com um rapaz que usasse peças de roupa rosa.

No caso das raparigas, a sociedade incentiva desde cedo comportamentos associados à dependência, emocionalidade, passividade e submissão, tanto em casa como na escola e nas relações com os pares. Através de expectativas explícitas e implícitas, exerce-se uma forte pressão social para que adotem características consideradas “femininas”. Com o tempo, essas características tendem a consolidar-se como atitudes e motivações profundas na vida adulta. Assim, muitas das características passam a ser vistas como “naturais” ou como parte da natureza da mulher, quando, na realidade, elas resultam de influências sociais e culturais profundamente enraizadas.

Para finalizar podemos contatar que o papel da mulher na sociedade tem evoluído significativamente, refletindo conquistas importantes em termos de direitos, liberdade e participação social. Contudo, ainda persistem alguns estereótipos e desigualdades que desafiam a verdadeira igualdade. Mais do que definir papéis rígidos, é importante investir numa sociedade onde cada pessoa, independentemente do género, tenha a liberdade de construir o seu próprio caminho, com oportunidades, respeito e reconhecimento.

Dr. Tiago Marques/Psicólogo Clínico © Psicoajuda – Psicologia certa para si, Leiria

Imagens cortesia: www.freepick.com

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Tiago Marques