Sinais de Ansiedade

Sinais de ansiedade – como pode tomar conta da sua vida

Em Psicologia adultos por Elisabete Condesso

Sabe quais são aos sinais de ansiedade? Todos nós ficamos nervosos ou com ansiedade perante certas situações, como quando temos que fazer uma apresentação importante, numa entrevista de emprego, num exame, etc. Só que algumas pessoas estão (quase) constantemente com ansiedade, pelo que a mesma acaba por tomar conta das suas vidas.

 

Sinais de Ansiedade

A ansiedade pode assumir diversas formas, como ataques de pânico, fobias, ansiedade generalizada, comportamento obsessivo-compulsivo ou ansiedade social. Mas, como saber se a sua ansiedade do dia-a-dia já cruzou a linha e se tornou numa patologia? Não é fácil.

Este artigo apresenta-lhe alguns sintomas, que caso se manifestem com regularidade, significa que deverá consultar um profissional de psicologia, porque poderá sofrer da síndrome de ansiedade.

 

Indigestão crónica

A ansiedade pode começar na nossa mente, mas normalmente manifesta-se no corpo através de sintomas físicos, como problemas de digestão crónica. A Síndrome do Cólon Irritável (SCI) é uma situação caracterizada por cólicas, diarreia, gases, inchaço, prisão de ventre, dores de estômago. Assim, os sinais de ansiedade manifestam-se basicamente através do aparelho digestivo.

A síndrome do cólon irritável nem sempre está relacionada com a ansiedade, mas ambas ocorrem frequentemente associadas e podem influenciar-se negativamente. Por um lado o intestino é muito sensível ao stress psicológico e, por outro o desconforto físico e social dos problemas digestivos crónicos contribuem para a pessoa se sentir mais ansiosa.

 

Tensão muscular

Uma tensão muscular quase constante, quer se trate de cerrar os punhos, apertar a sua mandíbula ou flexionar alguns músculos, geralmente está acompanhada de transtornos de ansiedade. Este sintoma pode ser tão persistente e estar tão difundido, fazendo parte do seu dia-a-dia, que acaba por passar completamente despercebido, isto é, a pessoa nunca se apercebeu que tinha esse sintoma. Assim, deve estar atento a estes sinais de ansiedade.

O exercício regular pode ajudar a diminuir a tensão muscular, mas a tensão pode explodir se uma lesão ou outro imprevisto acontecer atrapalhando os hábitos de treino da pessoa. Quando isso acontece, a pessoa não consegue lidar com a sua ansiedade e começa a estar incrivelmente inquieta e irritada.

 

Preocupação Excessiva

A marca do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) – o mais amplo tipo de ansiedade – é a excessiva preocupação sobre coisas quotidianas, grande ou pequenas. Mas o que significa “excessiva”?

No caso do transtorno de ansiedade generalizada, significa ter na maioria dos dias da semana, durante meses, pensamentos ansiosos persistentes -são, portanto, estes os principais sinais de ansiedade. Além disso, a ansiedade deve ser tão intensa que interfere na vida diária e é acompanhada por sintomas percetíveis, tais como fadiga.

“A distinção entre um transtorno de ansiedade e apenas ter ansiedade normal reside no facto de no caso do transtorno de ansiedade as emoções causarem sofrimento e disfunção”, diz a doutora Sally Winston, codiretora do Instituto de Transtorno de Ansiedade e Stress de Maryland, Estados Unidos.

Transtorno de Ansiedade

Transtorno de Ansiedade

 

Medos irracionais

Nem toda a ansiedade é generalizada; pelo contrário, está apenas presente numa situação específica – como, por exemplo, estar com muita gente ou estar num espaço fechado. Se o medo se torna insuportável, perturbador e desproporcional ao risco real envolvido, é um dos sinais de ansiedade e revelador de fobia, um tipo de transtorna de ansiedade.

Embora uma fobia possa ser incapacitante, a sua presença pode não ser óbvia. Efetivamente, ela pode nunca vir à tona até ao momento em que você enfrenta uma situação específica e descobre que é incapaz de superar esse medo. Por exemplo, uma pessoa que tenha uma longa carreira cheia de sucessos e de repente um dos seus projetos fracassa, passa a ter medo de voltar a fracassar (Cacorrafiofobia). Até a essa altura, não sabia que padecia dessa fobia e passa a ter consciência do problema.

 

Dificuldade em Dormir

Dificuldades em iniciar o sono ou permanecer a dormir estão associadas com uma vasta gama de problemas de saúde, quer físicos, quer psicológicos. É, claro, que não é incomum alguém ficar de tal modo agitado na véspera de um grande discurso ou entrevista de emprego, que tem muitas dificuldades em dormir.

Mas se esta situação ocorre com frequência e dá consigo acordado, preocupado ou agitado, isso poderá ser um dos sinais de ansiedade. Segundo algumas estimativas, metade das pessoas com o transtorno de ansiedade generalizada têm problemas em dormir.

Outro sinal de que a ansiedade pode estar presente? Acorda sentindo-se rígido, o seu pensamento esta divagando e tem dificuldade em acalmar-se.

 

Medo do palco

Geralmente, uma pessoa fica nervosa quando tem que falar para um grupo de pessoas ou quando é o centro das atenções, como acontece quando fala num palco para uma audiência. Mas, com treino e prática, vai conseguindo aliviar a tensão e vai conseguindo controlar o nervosismo. Contudo, quando tal não acontece e continua a sentir um medo muito intenso, ou quando passa muito tempo preocupado ou pensando nessa situação, poderá estar a desenvolver um transtorno de ansiedade social, também conhecido como fobia social.

As pessoas com ansiedade social tendem a preocupar-se durante dias ou semanas de antecedência sobre determinada situação ou evento. Tendem a sentir-se profundamente desconfortáveis com a realização do mesmo e, no pós-evento, pensam por um período prolongado como terão sido julgadas.

 

Auto-consciência

O transtorno de ansiedade social nem sempre está associado com a situação de falar para uma multidão ou ser o centro das atenções. Na maioria dos casos, a ansiedade social é provocada por situações cotidianas como participar numa festa e ter de conversar com outras pessoas, ou simplesmente estar sentado numa mesa e comer em frente delas.

Nestas situações, a pessoa com transtorno de ansiedade social tende a sentir-se com todos os olhos focados nela, e, muitas vezes, tende a corar, tremer, suar profundamente, ou falar com dificuldade. Estes sintomas podem ser tão perturbadores que levam a pessoa a manifestar uma enorme dificuldade em conhecer novas pessoas, manter relacionamentos, e evoluir no trabalho ou escola.

 

Pânico

Os ataques de pânico podem ser aterradores: uma recordação repentina, fortemente marcada por um sentimento de medo e desamparo, pode durar vários minutos, acompanhada por sentimentos físicos assustadores, com problemas respiratórios, coração a bater rapidamente, formigueiro ou mãos dormentes, dores no peito, dor de estômago, forte transpiração, e sensação de calor ou frio.

Nem todas as pessoas que têm um ataque de pânico sofrem de um transtorno de ansiedade, mas quem os experimenta repetidamente pode ser diagnosticado com transtorno de pânico. Pessoas com transtorno de pânico vivem com o medo constante de ter o próximo – quando, onde e porquê – e, por isso, tendem a evitar lugares onde os ataques ocorrerem anteriormente.

 

Ataques de Pânico

Ataques de Pânico

 

Regresso ao passado (Flashbacks)

Reviver um evento perturbador ou traumático, a morte súbita de um ente querido, é um dos sinais de ansiedade característico do transtorno de stress pós-traumático (PSPT), que compartilha algumas características com o transtorno de ansiedade.

Os “flashbacks” também podem ocorrer com outro tipo de ansiedades. Algumas pesquisas, incluindo um estudo de 2006 publicado no Journal of Anxiety Disorders, sugere que algumas pessoas com ansiedade social têm “flashbacks” de transtorno de stress pós-traumático, embora não parece óbvio que se trata de uma situação traumática, como, por exemplo, ser ridicularizado em público. Essas pessoas podem até mesmo evitar reviver a recordação – sendo este um sintoma claro que se trata do transtorno de stress pós-traumático.

 

Perfeccionismo

A mentalidade obsessiva-compulsiva conhecida como perfeccionismo anda de mãos dadas com os transtornos de ansiedade. Se você está constantemente a julgar-se a si mesmo ou tem uma forte ansiedade antecipatória de cometer erros ou ficar aquém dos seus padrões, então provavelmente tem um transtorno de ansiedade.

O perfeccionismo é especialmente comum no transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), que, tal como o transtorno de stress pós-traumático, tem sido visto como um transtorno de ansiedade. O transtorno obsessivo-compulsivo pode acontecer subtilmente, como no caso de alguém que demora hora para sair de casa, porque a sua maquilhagem tem que estar perfeita.

 

Comportamentos compulsivos

Para que uma pessoa seja diagnosticada com o transtorno obsessivo-compulsivo, tem que ter um comportamento compulsivo, ao nível mental (por exemplo, repetindo para si inúmeras vezes que não tem nenhum problema), ou ao nível físico (arrumando alguns objetos repetidamente ou lavando as mãos com muita frequência).

O pensamento obsessivo e o comportamento compulsivo passam a fazer parte de um quadro de transtorno obsessivo-compulsivo, quando a necessidade de realizar os comportamentos – também conhecidos como “rituais” – começam a dominar a sua vida. Será que, por exemplo, gosta do som da televisão no nível 20, mas está preso no nível 22 porque o comando não funciona, então ficaria em pânico total para consertar o comando?

 

Auto-dúvida

A auto-dúvida persistente e a autocrítica são características comuns dos transtornos de ansiedade, incluindo o transtorno de ansiedade generalizada e o transtorno obsessivo-compulsivo. Nalguns casos, a dúvida pode girar em torno de uma questão fundamental da identidade da pessoa, como “e se eu for homossexual?” ou “amo o meu marido, tanto quanto ele me ama?”

No transtorno obsessivo-compulsivo, esses ataques de dúvida são especialmente comuns quando a questão é irrespondível. A pessoa com transtorno obsessivo-compulsivo pensa: “se ao menos eu tivesse 100% a certeza de que sou ou não homossexual, então, independentemente da resposta, isso seria bom”, mas ele tem essa intolerância para com a incerteza e transforma a questão numa obsessão.

 

Elisabete Condesso / Psicóloga e Psicoterapeuta

© PsicoAjuda – Psicoterapia certa para si, Leiria

Sobre o Autor

Elisabete Condesso

Directora clínica da PsicoAjuda. Psicóloga clínica e Psicoterapeuta. Licenciada em Psicologia Clínica pela ULHT de Lisboa e com pós-graduação em Consulta Psicológica e Psicoterapia. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos. Título de especialista em “Psicologia clínica e da saúde” atribuído pela Ordem dos Psicólogos.