Como os filhos veem os pais

Como os filhos veem os pais? Compreender melhor a dinâmica familiar

Em Psicologia clinicaby Margarida Rogeiro

Como os filhos veem os pais? Será essa a visão que gostariam que retivessem? É necessário que os pais compreendam melhor a dinâmica familiar e as necessidades dos seus filhos, quer ao nível do seu crescimento emocional, quer ao nível social. Compreender a perspetiva deles ajuda-os a perceber melhor o que poderão melhorar na relação familiar e estimula um bom crescimento.

Saber o que eles pensam

Educar uma criança tem grandes desafios. Torná-la num adulto saudável não é fácil, ainda mais tendo em conta todas as exigências da sociedade atual. Como tal, não existe uma receita mágica para o fazer. Mas saber como os filhos veem os pais ajuda a perceber melhor o que os poderão mudar na relação.

Por isso, nada melhor do que saber o que eles pensam sobre os seus pais. Nesse sentido, decidimos recolher alguns dados junto dos nossos pacientes mais novos, e que vamos apresentar de seguida neste artigo.

Perspetiva geral que os filhos têm dos pais

Então, como os filhos veem os pais? De modo unânime, praticamente todos veem os seus pais como referências. Alguns de modo mais positivo, outros nem tanto. Isso leva-nos a pensar que de facto é importante termos consciência do tipo de modelos que somos para os nossos filhos. Isto porque os pais servem de exemplo para lidar com o mundo, tanto para os maus comportamentos, como para os bons.

Pais referencias dos filhos
Pais referencias dos filhos

Outra visão geral de como os filhos veem os pais é que consideram-nos como principais figuras de apoio e autoridade. No entanto, sentem necessidade de uma maior presença dos mesmos nas suas vidas. De assinalar também que, por vezes, os filhos identificam algum excesso de zelo dos pais, bem como falta de confiança nos seus filhos.

Por fim, também pudemos concluir que os filhos apercebem-se da falta de coesão entre os pais. Por vezes, reparam que os pais exercem o seu papel de forma inconsistente e isso traz-lhes alguma confusão, quer no que toca ao que esperam deles, quer ao que esperar dos próprios pais, isto tanto ao nível das regras estabelecidas, como na sua perceção do apoio prestado pelos pais.

O que os filhos valorizam nos pais

É inegável que os pais têm um papel muito importante na vida dos filhos, o que é confirmado pelos próprios filhos ao identificarem os seguintes pontos como sendo os que mais valorizam na intervenção dos pais:

  • Apoio
  • Referências positivas
  • Proteção
  • Afeto
  • Empenho no seu papel de educadores

Desta lista podemos concluir que para os filhos o mais importante é a presença afetiva dos pais na sua vida. Porque o que para eles é importante não é o tempo que passam com os seus pais, mas o tempo de qualidade que estão com eles.

O que os pais podem fazer melhor

Pais perfeitos é um mito! Porque existe sempre margem para melhorar e
errar é humano. Como tal, aqui ficam alguns pontos em que os pais podem esforçar-se para melhorar:

  • Maior confiança e tolerância.
  • Mais apoio e maior presença.
  • Mais paciência.
  • Menos exigência. Porque, geralmente é contraproducente exercer pressão excessiva ou ter reações de autoridade inadequadas.
  • Menos ambivalência de papéis.
  • Maior consistência na definição de regras.
  • Mais espaço para autonomia.

De salientar também que uma visão comum sobre como os filhos veem os pais, que se conclui das respostas dadas pelas crianças e jovens entrevistados, é que não gostam que os pais os comparem a outros jovens da sua idade ou do seu círculo social, vendo isso como um modo de criticá-los ou de lhes exigir mais.

Que tipo de influência exercem os pais diariamente?

Por vezes, é difícil ter a noção da magnitude do impacto causado pelas nossas ações no dia-a-dia dos nossos filhos. Por isso, nada melhor do que saber o que eles pensam.

De acordo com as respostas recolhidas, podemos identificar vários tipos de influências, podendo ter efeitos mais positivos ou mais negativos.

As influências mais positivas prendem-se com o facto de os pais proporcionarem motivação para melhorar, apoio afetivo e ajuda nos conflitos/desafios diários.

Pai a brincar com o filho
Pai a brincar com o filho

No lado oposto temos os efeitos mais negativos, que se prendem essencialmente com as críticas excessivas, rotulagem mediante certas atitudes generalizadas, nível elevado de exigência face à escola, castigos desproporcionais e comparação depreciativa com outros que os rodeiam. Muitas vezes, este ambiente familiar conduz a que pais e filhos vivam momentos difíceis, em que ambos ficam presos no seu comportamento relacional negativo.

De um modo geral, a visão dos filhos quanto à influência dos seus pais, passa por eles serem a autoridade que impõe as regras. Contudo, com enfoque excessivo nas questões da escola, menosprezando, assim, algum apoio e presença nas questões do seu bem-estar e crescimento. A maioria atribuí como principal motivo para não sentirem os pais tão presentes, o excesso de trabalho, o que deixa-lhes pouco tempo para dedicar aos filhos.

Sucintamente, pode concluir-se que os filhos têm a visão de que os pais são um meio de sustentabilidade e apoio. Mas, ao mesmo tempo, os filhos percecionam que lhes é exigido, como forma de retribuição, um comportamento perfeito, sobretudo ao nível do desempenho escolar, que deixe os seus pais orgulhosos e satisfeitos. Será que é esta a visão que gostaríamos que os nossos filhos retivessem de nós enquanto pais?

Como o apoio psicológico pode ajudar?

Esperamos que este artigo contribuía para refletir e melhor compreender a dinâmica familiar e as necessidades dos seus filhos, face ao seu crescimento emocional e social, para que mais tarde eles próprios o possam aplicar e, assim, construirmos uma sociedade mais empática e saudável. 

Sabemos que nem sempre é fácil trabalhar estas questões em casa. Há a necessidade, em muitos casos, de recorrer ao apoio neutro de alguém que intervenha junto de cada elemento da família, de modo a explorar estas relações familiares.

Há a necessidade, em muitos casos, de recorrer ao apoio neutro de alguém que intervenha junto de cada elemento da família, de modo a explorar estas relações familiares.

Para tal o apoio psicológico junto das crianças e dos jovens torna-se essencial para essa compreensão e intervenção no seio familiar dos mesmos, trazendo uma visão mais abrangente tanto para os filhos, como aos seus pais.

Na PsicoAjuda disponibilizamos serviços adequados a esta problemática, com vista a potencializar os recursos emocionais e relacionais dentro do seio familiar, de modo a desenvolver dinâmicas familiares mais saudáveis para o crescimento dos seus filhos e levando à melhor compreensão dos pais face às necessidades reais dos seus filhos.

Ana Margarida Rogeiro / Psicóloga e Psicoterapeuta

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Sobre o Autor

Margarida Rogeiro

Psicóloga clínica e Psicoterapeuta na PsicoAjuda. Mestrado pós-Bolonha em Psicologia Clínica e da Saúde pela UBI. Membro da Ordem dos Psicólogos.