Poderá sofrer de Burnout

Sente-se exausto? Poderá sofrer de Burnout!

Em Psicologia adultos por Margarida Rogeiro

Sente-se cansado física e mentalmente todos os dias? Sente que tudo o que faz no trabalho não tem valor e que é um enorme sacrifício ir trabalhar? Cuidado, pode estar a sofrer de Burnout, a doença do esgotamento profissional.

Cada vez mais o mundo atual do trabalho é repleto de desafios e exigências. Atualmente passa-se um número elevado de horas no local de trabalho. Esse facto, juntamente com todas as circunstâncias inerentes e situações stressantes que se passam no dia-a-dia, faz com que muito nos seja exigido, por vezes, durante semanas a fio! O contato constante com esta realidade pode trazer-nos graves consequências para a nossa saúde física e mental. Por isso, é importante adquirir estratégias para lidar com essa realidade diária de modo a evitar o agravamento do nosso estado físico e emocional, e consequentemente, sofrer de Burnout.

Compreender o síndrome de Burnout

O estudo da relação entre as dificuldades que advêm do trabalho e da saúde física e mental do trabalhador tem sido amplamente estudadas na era moderna. Tal facto deve-se às graves consequências que podem surgir na vida do trabalhador e até no funcionamento da organização para a qual ele trabalha. Gorji (2011) indica que já se poderia estimar que 3% a 7% da população mundial poderia sofrer deste problema, o síndrome de Burnout. Como tal, torna-se importante compreender este conceito e saber como intervir para o evitar ou tentar minimizar o seu efeito.

De acordo com alguns dos estudos feitos, o síndrome de Burnout pode ser definido pela resposta do organismo a pressões e a problemas relacionados com o emprego. O modo como essas pressões afetam o indivíduo manifestam-se de três maneiras, são elas: 1) uma exaustão esmagadora; 2) sentimentos de desapego quanto ao trabalho; e 3) uma sensação de ineficácia ou falta de realização pessoal.

Para uma pessoa que sofra com o stress laboral, estas dimensões ao estarem continuamente presentes podem levar a um quadro clínico de síndrome de Burnout, vindo a agravarem-se com o tempo. Podem levar a consequências bastante graves, não só para o trabalho da pessoa como também vão interferir com o seu bem-estar e vida pessoal.

Sofrer de Burnout, a exaustão física e psicológica

A exaustão é o sinal mais recorrente. Carateriza-se por um sentimento contínuo de esgotamento físico e mental provocado pelo próprio trabalho, em que a pessoa se encontra constantemente cansada e emocionalmente esgotada, podendo levar a outros tipos de problemas psicológicos.

Os sentimentos de desapego quanto ao trabalho têm início quando a pessoa desvaloriza o trabalho dos outros e o próprio, quando não se sente aceite no ambiente laboral e, consequentemente, origina uma falta de empenho face ao trabalho.

Finalmente, a sensação de ineficácia manifesta-se ainda por um conjunto de pensamentos negativos em relação ao trabalho executado, levando a pessoa a considerar-se pouco útil ou incapaz de executar as suas tarefas laborais.

Síndroma de Burnout, alto índice de stress

Síndroma de Burnout, alto índice de stress

Na generalidade, o que os investigadores têm concluído é que o síndrome de Burnout é um processo em que durante um longo período a pessoa contacta com fatores stressantes relacionados com o seu trabalho. Manifesta-se através de um estado contínuo de infelicidade no trabalho, desejo constante de faltar ou abandonar o emprego e até sintomas de exaustão mental.

Causas do síndrome de Burnout

Estão identificadas diversas causas para esta problemática, que poderão ser do trabalho, bem como da natureza do próprio individuo. De seguida iremos analisar cada uma dessas dimensões.

Como foi anteriormente referido, o Burnout é caraterizado por ter origem em diversos stressores laborais, influenciando o aparecimento deste quadro clínico o modo como cada pessoa lida com os mesmos.

Algumas das caraterísticas individuais apontadas estão relacionadas com baixa autoestima, poucos recursos de adaptação, estratégias de evitação para lidar com a pressão, estados de ansiedade e vulnerabilidade emocional. Pessoas que tenham um perfil psicológico com estas caraterísticas estarão mais suscetíveis de vir a sofrer com o síndrome de Burnout.

As condições de trabalho é outro fator importante a ter em conta. A sobrecarga de trabalho, o tempo disponível para a execução das tarefas, a falta de feedback e apoio dos colegas ao lidar com determinadas situações, a autonomia na tomada de decisões, são alguns dos exemplos de fatores stressantes no trabalho.

O principal fator stressante geralmente mencionado por quem sofre da patologia de Burnout, é a falta de apoio dos colegas e dos supervisores. Este apoio é importante, pois é o que permite a criação de uma ligação interpessoal com a restante equipa de trabalho, funcionando como um atenuante dos problemas no trabalho e por isso é tão relevante para a estabilidade emocional da pessoa. Consequentemente, a falta de apoio dos colegas e dos supervisores contribui para o isolamento da pessoa, originando um aumento dos estados de ansiedade e contribui para o agravamento da sua estabilidade emocional.

Consequências a ter em conta no Burnout

Torna-se cada vez mais difícil encontrar um equilíbrio entre a qualidade do trabalho feito e o bem-estar pessoal no trabalho. Como já referido, o constante contato com as exigências e problemáticas no trabalho pode trazer-nos graves consequências para a nossa saúde física e mental.

Uma vez que uma entidade empregadora só opera através dos seus trabalhadores, as consequências do síndrome de Burnout podem verificar-se tanto ao nível individual, como também da própria organização.

A título individual pode afetar tanto a vida profissional como pessoal, consoante o aumento dos sinais de stress do trabalhador. Tais consequências podem levar ao aparecimento e agravamento de diversas doenças do foro físico e psicológico, bem como interferir com as relações e dinâmicas familiares.

Devido a estes efeitos, sofrer de burnout é considerado bastante debilitante na vida da pessoa que sofre deste problema, pois alarga-se a todos os contextos da sua vida, podendo chegar, em casos extremos, em baixa médica de longo prazo ou, inclusive, ao despedimento do trabalhador.

As consequências ao nível das organizações manifestam-se em resultado dos efeitos negativos do trabalho dos seus colaboradores. Se o trabalhador apresenta fadiga extrema, sentimentos de ineficácia e desvalorização face ao trabalho, muito provavelmente isso irá afetar o ambiente de trabalho. Tais fatores poderão estar associados ao aparecimento de conflitos entre os trabalhadores, falta de eficácia na resolução de problemas da empresa e até contágio do stress laboral para a equipa de trabalho.

Mulher a sofrer de Burnout

Mulher a sofrer de Burnout

Agora que verificámos algumas das suas consequências nefastas, é importante assumir algumas estratégias para lidar com esta problemática. De seguida iremos abordar alguns métodos de prevenção do síndrome de Burnout.

Apostar na prevenção do síndrome de Burnout

Os efeitos do stress laboral são tão incapacitantes que se torna essencial a prevenção do seu aparecimento. Uma vez que as dimensões que abrange são dependentes das caraterísticas individuais da pessoa e do ambiente de trabalho nas empresas, vamos apresentar as medidas de prevenção do síndrome de Burnout tendo em conta essas duas dimensões.

Para as organizações: proporcionar um bom ambiente de trabalho

  • Criação de programas de acompanhamento e supervisão das suas equipas de colaboradores;
  • Realização de dinâmicas e atividades de fortalecimento de laços laborais;
  • Apostar na atualização da formação dos próprios trabalhadores.

Apesar de implicarem um investimento de tempo e recursos da empresa, é fundamental e do próprio interesse da organização adotar medidas de prevenção do síndrome de Burnout. Tal é importante de modo a evitar complicações futuras com a saúde e eficiência dos seus trabalhadores e consequente qualidade do seu trabalho.

Para os trabalhadores: aprender a colocar-se em primeiro lugar!

  • Faça mudanças nas suas atitudes e comportamentos face ao trabalho, não aceite mais tarefas e responsabilidades do que as que consiga suportar;
  • Adote uma postura mais positiva em relação aos seus colegas e superiores;
  • Aceitar que todos temos limites e não somos máquinas perfeitas, e por esse motivo podem-se cometer erros, só que terão de ser ultrapassados de outra forma;
  • Procure relaxar um pouco todos os dias – se for difícil por falta de tempo, aplique algumas técnicas de respiração e relaxamento;
  • Em último caso, se viável, poderá mudar para outra empresa com um contexto de trabalho diferente ou, inclusive, poderá tentar outra área profissional.

Caso pense que a execução desta estratégia individual não é suficiente, recorra à sua entidade empregadora para que modifique algumas das condições de trabalho a que está sujeito. Aborde o tema apelando às consequências coletivas que poderão advir a longo prazo da continuação das condições atuais de trabalho.

Onde pedir ajuda?

O(a) psicólogo(a) pode ajuda-lo a encontrar soluções adequadas para uma nova etapa que começa. Juntamente consigo, poderá ajuda-lo a desenvolver algumas competências sociais e estratégias para lidar com a ansiedade inerente ao stress laboral. Deste modo conseguirá arranjar alternativas positivas para encarar a pressão associada ao seu trabalho.

Se sofrer de Burnout, e caso haja outro tipo de patologias associadas e que estão a agravar o problema, o(a) psicólogo (a) irá adaptar a sua intervenção de modo a encontrar as soluções mais adequadas para si, sempre com o intuito de ajudá-lo a melhorar o seu bem-estar psicológico e emocional.

Na PsicoAjuda disponibilizamos serviços adequados a esta problemática com vista a minimizar os efeitos do síndrome de Burnout, quer ao nível da sua vida pessoal, quer ao nível profissional. Será possível ultrapassar as dificuldades e encarar o trabalho com satisfação, uma fonte de realização pessoal e desenvolvimento futuro.

Ana Margarida Rogeiro / Psicóloga e Psicoterapeuta

© PsicoAjuda – Psicoterapia certa para si, Leiria

 

Imagens cortesia de David Castillo Dominici e marcolm em FreeDigitalPhotos.net

Sobre o Autor

Margarida Rogeiro

Psicóloga clínica e Psicoterapeuta na PsicoAjuda. Mestrado pós-Bolonha em Psicologia Clínica e da Saúde pela UBI. Membro da Ordem dos Psicólogos.